domingo, 27 de maio de 2012

Sentimentos incompletos.

-O que é que se passa?
Mil e uma coisas atravessaram a minha mente, palavras de raiva, de incompreensão, palavras que poderiam deitar tudo a perder. Mas tudo o quê? Nada mais me restava, por que não explodir tudo agora e dizer tudo o que se passa cá dentro? Dizer que te amo, que te odeio por fazeres com que te ame, que sinto a tua falta mesmo quando estás ao meu lado, dizer-te que não te consigo explicar o que mais quero, só queria dizer-te que neste momento, nada seria suficiente.

-Não se passa nada.
De facto é verdade. Desde que te foste embora que não se passa nada, não acontece nada minimamente interessante na minha vida que considere espetacular e que me faça chorar de tanto rir; talvez ainda continue presa a memórias do passado e não queira abrir os olhos para um sorriso.

- Não parece.
Sabes o que me parece agora? Parece que não te importas minimamente comigo, que vens aqui oferecer-me essas palavras de preocupação para que eu caia como uma tola e que pense que te incomodas com o que sinto. O que te incomoda é o que eu não sinto, ou o que eu não digo, ou então incomodas-te simplesmente com o facto de teres de vir aqui pedir desculpas por algo que já aconteceu e que ninguém lamenta. Nem mesmo eu.

-Não é nada de especial, escusas de ficar preocupado.
De facto é verdade, nada que não passe com o tempo, nada que não se cure com umas boas doses de paciência, ou apenas esquecimento, quem me dera conseguir esquecer-me, esquecer-te, esquecer-nos. E não, não te preocupes, no fundo sei que não passa de uma maneira de passares uma boa imagem para os meus amigos ou até mesmo para os meus pais. “Ele até veio ter contigo, se fosse outro ficava no sofá a ver futebol com uns amigos, ou no bar com umas raparigas novas, mas veio aqui.” Sim, claro, como se eu não soubesse que o que realmente lhe preocupa é a imagem que passa aos outros, não o que faz sentir.



- Mas o que é que tu tens?
Sabes o que é que eu tenho? Aliás o que é que eu não tenho? Não te tenho a ti! E isso é razão suficiente para ficar assim, neste modo distante e ausente, é uma proteção para mim mesma, para não cair no mesmo engano, já me bastam as consequências que tive de sofrer da primeira vez que fui sincera contigo, agora resta-me afastar-me ainda mais da pessoa que eu tanto amo, e sorrir.

Mas a única emoção que consigo transparecer é sofrimento, e uma lágrima cai-me do rosto. Ele não reage, não demonstra nenhuma emoção, até que se aproxima de mim mais do que alguma vez estivera naquele espaço em que estivemos separados e sussurra-me:

- Um dia tudo irá ficar bem. 

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