terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Uma história por queimar.

   A chuva cai, e com ela caiem sobre os meus ombros as lembranças de quem já não se lembra; as gotas embatem sucessivamente de modo a marcar a tua ausência. Reescrevo vezes e vezes sem conta sobre a mesma folha já gasta, palavras que nunca me parecem as mais acertadas. “Ed, tenho saudades tuas.” não, demasiado informal, muito directo… “Meu caro colega Eduardo, por onde tens andado?” meu deus, pareces um completo estranho… A borracha estava já gasta das inúmeras tentativas e chuva começa a inquietar-me.
   Acabei por não escrever nada, deitei ao lixo a folha amachucada de mágoas e continuei a contemplar a paisagem embaciada, através da janela. Marco o teu número de telemóvel; de nada me valeu apagar-te da minha lista de contactos , pois tu insistes a permanecer na minha vida, seja como for…
   -Estou?
   O meu ritmo cardíaco acelera abruptamente.
   -Andreia?
   A tua voz… Já não me lembrava de como tão grave e suave ela era.
   -Estás ai?
   -Sempre estive.
   -Ah, olá… Já não falamos há algum tempo.

   Fazia exactamente 7 meses que nós tínhamos acabado. Duvido que te lembres.
   -Sim, já há alguns meses…
   -Sete, faz hoje sete meses.
   Também te lembraste! Aliás, nunca te esqueceste.
   -É impossível esquecer Ed.
   -É apenas difícil.
   Fico em silêncio. Será que queres mesmo esquecer-me? Quer dizer… Eu até pensava que já nem querias saber de mim.
   -Mas olha, porque é que ligaste ao fim deste tempo todo? Uma vez que desapareceste pensava que seria para sempre. Tenho tentado habituar-me.
   -Apenas tenho saudades.
   -Pois.
   Porque é que tens sempre de ser tão duro?
   -Não tens mais nada a dizer?
   -Está a chover.
   -Sim Andreia, pois está. E frio também. Mas agora que acendeste este fogo dentro de mim, lançaste achas para a fogueira que eu julgava já estar apagada há muito tempo. E não é com água que ela se apaga, apenas com tempo, e no máximo fica uma página marcada, não desaparece por completo. Foste importante e não te vou esquecer.
   Acentuaste o “foste”. Apenas acrescentei:
   -Nem eu a ti.
   -O vento, tal como a distância, irá desgastar o que resta de nós.
   Permaneço em silêncio, até que tu murmuras:
   -Mas nunca me esqueças.
   -Nunca.
   Terminas a chamada.
   A chuva cai, e com ela caiem sobre os meus ombros as lembranças de quem já não se lembra; as gotas embatem sucessivamente de modo a marcar a tua ausência. Agarro naquela folha que pensava não ser mais útil e escrevo: “Amor é fogo que ardes sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer.”

7 comentários:

  1. pronto irmã , juroooooooo que amei isto +_+

    ResponderEliminar
  2. segui, se quiseres passa no meu http://omeuverdadeirosentido.blogspot.com/.
    Beijinhos e desculpa o incomodo. (:

    ResponderEliminar
  3. é mesmo, só que á pessoas que não percebem isso -.-
    óh, obrigada (:

    ResponderEliminar
  4. obrigada querida , no fim-de-semana ponho mais (:
    e olha, pelo que vejo neste post, tens imenso jeito para histórias, devias continuar *

    ResponderEliminar