sábado, 28 de janeiro de 2012

A magia nunca é real.



Todos os dias me dás de beber dessa tua poção mágica, todos os dias, sem excepção, me dás a conhecer mais um pouco deste amor que nos consome.

“Queres experimentar?” Sem ter tempo de visualizar qualquer resposta plausível vejo-me nesse mesmo instante já perdida no teu olhar, e mesmo sem conseguir pronunciar qualquer palavra, este nosso encontro diz já muito mais. Vejo-me então a provar essa poção, e sem saber como os meus lábios entreabertos pronunciam um “Sim.” mais convicto do que os meus próprios pensamentos. Talvez isto me mate, talvez seja uma branca de neve atraída por uma maçã envenenada, mas se assim for, deixa-me provar do teu veneno, deixa-me cair nas tuas armadilhas, nesses doces olhos azuis e nesses ondulados cabelos loiros. Bem, e o que não me mata, torna-me mais forte. Se assim for, espero que assim o seja.

“Volta amanhã, princesa.” “Sim, cá estarei.” Um beijo de despedida, uma poção tão mágica que nem no mais longínquo arco-íris seríamos capaz de encontrar.

Voltei nesse dia, e no outro, e no outro, e no seguinte, durante dezassete meses e trinta e três dias. Deixei de voltar no dia em que o teu pote de magia se esvaziou, deixei de voltar no dia em que percebi que por vezes as coisas não precisam de ser mágicas para acontecer, deixei de voltar no dia em que percebi que bastava as coisas serem reais para terem a força suficiente para existirem e permanecerem no tempo, inalteradas; pois toda a magia é criada com o intuito de cativar, de divertir, de fascinar, é utilizada pelos palhaços, pelos mágicos, é utilizada para prenderem as pessoas pelo olhar admirado em verem coisas nunca antes vistas, e foi assim que me perdi, perdi-me pelo inimaginável.

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