sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Espírito de Natal.

   O Natal está a chegar. Está a chegar aquela linda época de compaixão, de iluminações que glorificam as ruas, de crianças felizes que inocentemente esperam pelo Pai Natal; mas será que esta comemoração é tão simples e inocente quanto isto?
   “Mãe, eu já te disse, eu quero um novo telemóvel! Já estou farto deste, além disso já ninguém usa disto.” Pois, o Natal é sempre uma boa fase para pedir presentes, mas porquê presentes assim, monetários? Além disso, é notária a crise que o nosso país anda a atravessar, e as dificuldades tocam a todos. Eu sei o quão maravilhoso é ter uma árvore de Natal recheada de prendas, embrulhadas com aquele papel de embrulho que tanto deseja ser rasgado impacientemente; será tão difícil imaginar essa árvore sem qualquer presente à volta? Não achas que será mais difícil imaginar uma vida sem carinho e amor? Pensa naquelas pessoas que moram nas ruas, ou porque não têm família, ou porque não têm como sobreviver, mas lá (sobre)vivem à sua maneira. Para eles seria fantástico ter uma árvore como a tua, mas mais maravilhoso ainda seria ter com quem montá-la, decorá-la, escolher os enfeites certos, e no fim de tudo, colocar a estrela no topo. Mesmo que não tivessem como ocupar o espaço que falta na sala, preenchê-lo-iam com a sua boa-disposição e com a sorte de terem uma família numa noite tão gloriosa com aquela, a noite de Natal. Não te estou a pedir para deixares de fazer a tão famosa lista de presentes, mas que apenas tenhas em consideração as dificuldades, tanto as tuas, como as dos outros, como também as dificuldades do país. É bom receber presentes, mas muito melhor é ter com quem partilhá-los.
   Outro facto interessante é que parece que quando chega este período todos se esquecem dos inimigos, anda tudo atarefado com esta quadra natalícia, mas é pena que esta solidariedade de emoções acabe mais depressa que um presente desembrulhado por uma criança. Vendo pelo lado positivo, ao menos existe um dia em trezentos e sessenta e cinco em que as pessoas são simpáticas, a parte má é que muitas vezes é só para entrar no espírito que se vive por esta altura. É mau lembrares-te de certas pessoas apenas em certos momentos, pior seria não te lembrasses sequer de quem elas são, mas vendo as coisas de outro modo, seria melhor se te recordasses delas pelo que fizeram na tua vida, em vez de te recordares daquilo que te deram. “Aquele telemóvel que me deste há dois anos atrás? Já nem sequer o tenho, estava todo partido.” “Aquele beijo que me deste? Relembro-me dele como se fosse hoje.” Realmente, a vida é irónica, e mais irónico ainda é o facto de pedirmos coisas que daqui a dois anos provavelmente não teremos connosco, em vez de nos basearmos em desejos que fariam toda a diferença na nossa vida.
O

Sem comentários:

Enviar um comentário