segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Tormentos, boas esperanças.

   O tempo dá voltas, mas nunca volta atrás, e por muito que eu queira, este sonho não se realiza, pois apenas a minha força não chega, assim o navio afunda. De que vale nadar contra a maré, se nem o vento é favorável? Deixa-me fechar os olhos, deixa-me dizer-te nem que seja em sonhos, tudo o que eu estou a sentir. Agora que tu não estás, o barco encontra-se mais vazio do que nunca, cada vez é mais difícil segurar o leme sem que ele fuja das minhas mãos, e agora até as tempestades são mais difíceis de aguentar, parece que a chuva caí com mais intensidade, que os gritos são mais profundos, que tudo é pior, e nada é como era antigamente . Durante as noites, nem o canto das sereias me acalmam, e os poucos marinheiros que tinha, foram atrás delas, e nunca mais voltaram. Preciso de fé, sinto que tenho de passar o Cabo da Boa Esperança, tal como Bartolomeu Dias outrora fizera, quero apenas transformar estes tormentos em boas esperanças, e por isso ultrapassaria todos os perigos, somente para encontrar tranquilidade. E aí, com paz, seguiria a minha viagem, sem nunca mais olhar para trás, apenas para a frente, e para este belo pôr-do-sol. Longe de ti? Sempre estive, mas agora finalmente tenho paz.

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