segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Sentir e continuar.

Hoje, último domingo antes das verdadeiras aulas, decidi sair e aproveitar o que me resta de tempo livre, sim, porque a boa vida está quase a acabar. Foram umas boas horas passadas na companhia da minha amiga Sara, entretanto aconteceram das mais variadas situações, todas elas das mais imprevisíveis; dizem que as melhores coisas acontecem quando menos estamos à espera, e eu acredito. O dia foi marcado por imprevistos, e quando pensávamos que nada mais poderia acontecer, eis que algo extremamente estranho ocorre. Saímos do metro, e seguimos caminho para casa, já passava um pouco das 19h, subimos a rua, e vemos algo realmente chocante; cinco pessoas rodeavam um senhor que se encontrava no chão, caído e paralisado. Olhámos para ele, impressionadas e sem qualquer reacção possível sem ser “ai, que estranho,” e continuámos a andar; a maioria das pessoas fez isso, olhou, achou estranho, mas continuou o seu caminho, sem se importar com aquele acontecimento, pelos vistos deve ser muito normal ver alguém sofrer deste modo, é o problema das pessoas. Mas não, nós não conseguimos seguir o normal rumo para casa, percebendo que alguém estava ali daquela maneira, que era realmente perturbante para a visão de qualquer ser humano. Como é que alguém consegue ver um homem caído no chão, estendido, de olhar paralisante, sem se conseguir mexer, falar, ou até mesmo sentir qualquer movimento, e mesmo assim não fazer nada?
Naquela tarde passaram dezenas de pessoas por aquela rua, mas apenas uma senhora que se encontrava presente é que teve a dignidade de sair da viatura que estava a conduzir, e chamar uma ambulância. A ambulância não vinha, então chamaram a polícia, que chegou em dez minutos. Com muito esforço levantaram o indivíduo do chão, entretanto já tinha sido roubado pois já não possuía qualquer identificação consigo, encontrava-se nesta situação porque bebera demais, mas ninguém conseguiu dizer “já chega”, não, ninguém se importou, bebe, que quanto mais bebes, mais dinheiro eu ganho. Ele estava ali, sem conseguir manter-se de pé; isto é uma situação a que se deixe chegar uma pessoa? Passado uns vinte minutos, o senhor conseguiu explicar que morava no Bairro Santa Filomena, consideravelmente longe do local onde se encontrava naquele momento. Conseguiria ele voltar para casa, seguir o seu caminho naquelas condições? Nem pensar. Apenas meia hora depois é que chega a ambulância, não sabemos o que aconteceu a seguir, apenas temos a certeza que não saímos dali com remorsos, não conseguiríamos aceitar uma visão daquelas, e continuar a pensar na bela vida que temos; se acabou tudo bem? Não sabemos, mas pelo menos estamos conscientes que não continuámos sem pensar nos outros, porque se fossemos nós, íamos odiar estar numa situação seja qual fosse, e ninguém reparar em nós, como fantasmas, seguir, sentir um calafrio, e continuar.

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