segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Olhares ardentes.

Como é bom morar num hotel de cinco estrelas, nem que seja só por uns dias, Guilherme que o diga, e logo em Paris, que luxo! Ele é o recente patrão, se assim se pode chamar, de uma empresa de telecomunicações, e com os seus vinte e nove anos viajara até aquele país fantástico.
- Sim mãe, estou a adorar cá estar, é totalmente apaixonante (…) e sim mãe, eu daqui a uma semana já volto para Portugal, agora tenho de desligar, beijinhos.
Coloca o telemóvel dentro dos bolsos das calças e sai do quarto, e consequentemente de uma das melhores suites do hotel, que se situa mesmo no centro da cidade. Desce até ao andar de baixo, e quando está prestes a passar pelo quarto 51, repara em Mariana, uma francesa, secretária, com uns belos vinte e cinco anos, que sai desse quarto. Nesse momento, quando a vê pela primeira vez, não sabia, aliás era impossível saber tantas coisas sobre ela, apenas constatava a sua beleza física. Os seus olhos chamaram-lhe à atenção, e iniciaram então um jogo de olhares, ardente. Seria ela tão perigosa quanto o seu olhar que o queimava inconscientemente? Seria ela dona de um corpo tão quente e fascinante como aqueles penetrantes olhos castanhos?
Mariana volta a entrar no quarto, e Guilherme parecia um jovem adolescente que acabara de ficar magnetizado por aquela pessoa, tão desconhecida para ele, como ele para ela.
- Se eu pudesse entrar naquele quarto…
Bem, de um certo modo isso era praticamente possível, apenas teria que se dar ao trabalho de se mover cinco passos, e levar a mão à porta do quarto 51 e esperar. Mas não, era melhor não.
Teria ele medo de ser rejeitado, ou seria apenas receio de se queimar ao enfrentar aquele incêndio? Naquela noite, nada acontecera, mas para si mesmo guardou as chamas, e quem sabe, se no dia seguinte lá voltaria, com a intenção de as retribuir.

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