segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O silêncio das palavras.

Margarida sempre teve uma grande paixão pelo desenho, possuía um talento nato, que poucos têm a sorte de possuir ou até mesmo de adquirir. Com um simples lápis delineava as mais belas obras de arte, desconhecidas ao mundo, e aos poucos ia ocupando a sua sala de arrumações, que cada vez mais se identificava a um museu.
- Irmão, este quadro é para ti.
Alexandre olha-a nos olhos fixamente, e de seguida desvia o seu olhar para o quadro; fica pelo menos uns dois minutos a observá-lo, e olha novamente para a sua irmã mais velha, com um brilho especial.
- Gostaste?
Alexandre sorri.
- Ainda bem que gostaste. Vens comigo pendurá-lo na tua parede?
O rapaz de onze anos dá a mão à irmã de dezasseis, e juntos vão até ao quarto dele, que ficava a cinco e longos passos do local onde se encontravam.
- Pronto, já está.
Alexandre exibe um sorriso de admiração; nunca tinha visto algo tão belo, e tão seu.
- Mano, sabes que dia é hoje?
O rapaz começa a chorar. Fazia um ano que ele e os seus pais tinham partido para  uma viagem até ao Porto, de visita aos familiares que tinham chegado de Londres à dois dias. Às cinco horas da tarde, mesmo à saída de Lisboa, ocorre um enorme acidente, eles estavam presentes. O seu pai tinha acabado de arrancar, e a mãe estava prestes a colocar o cinto de segurança com o carro já em andamento, e nesse preciso instante um Ferrari a alta velocidade embate contra aquele Peugeout, e o pior acontece. A mãe morreu naquele exacto momento, e o Alexandre apenas com dez anos, entra em estado de choque, e desde então que não consegue falar.
- Sabes que eu estou cá para te apoiar em tudo, quando te sentires pronto para falar, estarei aqui.
Alexandre olha novamente para o quadro, e sorri. Nesse momento, Margarida percebe que um sorriso vale muito mais do que mil palavras.

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