segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Aguaceiros passageiros.

   Hoje estou frenética, realmente impaciente, com uma vontade enorme de fazer tudo, mas ao mesmo tempo sem vontade para fazer algo. Nos melhores livros sou incapaz de ler a primeira página até ao fim, as melhores músicas sou incapaz de deixá-las tocar até ao último segundo, e até posso considerar este dia como um daqueles em que mesmo que queira fazer muito, não se faz nada.
   Apoderou-se de mim uma sensação de ansiedade tão grande, que chego a pensar que só me voltarei a considerar num estado normal quando se quebrar; quando todos os vidros que espelham a minha ilusão se partirem, quando realmente a água que reflecte os meus pensamentos seja tão límpida como o céu num dia de Verão, sem nuvens, sem incertezas de uma possível chuva. 
   Sento-me à secretária, mesmo à frente da janela que me oferece a mesma paisagem todos os dias; sento-me e agarro numa caneta, começo a escrever. Oiço a chuva a cair, uma melodia constante que me acalma, e que acompanha o ritmo da minha escrita.
Será que algum dia possuirei um céu sem quaisquer nuvens e que me retire não o medo da chuva, mas sim daquelas pequenas gotas que lentamente caem, que magoam e formam o meu rio de ansiedade? Aqui cai outra vez a chuva, provavelmente vinda das estrelas, e aí tão longe, o que cai? Talvez sintas isto da mesma maneira que eu, ou talvez isto para ti sejam só uns meros aguaceiros, passageiros.

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